sexta-feira, 10 de junho de 2011

Devaneios à meia-noite

Não preciso de uma orientação, não preciso que me digam para ir para a esquerda ou para a direita. Não, não aceito viver nessa rectidão, nesse dualismo, nesse maniqueísmo.

Sou um ser permanentemente inquieto, desassossegado, por natureza; nunca conformado, nunca certo, nunca errado, nunca estável, nunca completo.

Se gosto de viver assim? Não, não gosto. Mas não sei viver de outra maneira.

Não aceito viver no preto ou no branco, sou uma mistura complexa; no entanto, por vezes deixo-me levar aos extremos…mas, afinal, quem não deixa? É inevitável cair, de vez em quando, num dos pólos. Pólos opostos mas serão, por isso, incompatíveis?

Será alguma forma de vida incompatível com outra? Quem definiu isso?
Quem esboçou esta morfologia, esta arquitectura social tão rígida, tão recta, tão certa, tão milimetricamente planeada, tão pormenorizadamente medida e de tão limadas arestas, que nos impede de aceitar a ambiguidade e a complexidade que caracterizam a espécie humana?

Quem definiu tais limites, tais barreiras, tais obstáculos que, a toda a hora, nos impedem de sermos autênticos e genuínos, levando-nos até à negação da nossa própria natureza, levando-nos a cair no fingimento de sermos outra coisa qualquer que não nós mesmos?

O Homem justifica-o, inevitavelmente, com uma resposta que agrada a (quase) todos, por conformismo, por hábito, ou simplesmente, por medo da confirmação de algo indesejável: são as leis impostas por Deus. E, assim sendo, todos aceitam, todos se calam e todos se submetem a essa verdade absoluta e universal porque, quando se trata de Deus, é indiscutível. E todos continuam as suas vidas de acordo com essas leis porque é assim que deve ser e é assim que vai continuar.

“Bem-aventurados os que choram porque serão consolados”. Será? Haja fé.

1 comentário:

Anónimo disse...

Hola, era fácil que o difícil não existe-se mas o que seria do fácil: ) É tudo assente em teorias e mais teorias, mas a que mais me fascina são os mundos paralelos e pensar que alguém como nós pudera estar a viver uma vida completamente diferente, uma vida com razão. Meras teorias, basicamente tudo o que sabemos, tudo o que aprendemos para que serve em comparação a um universo, nada. Mas pronto. Deus é uma mera conclusão, mero boneco imaginário do homem, para responder a tudo o que não sabemos responder, mas ainda bem que é assim, pois podemos viver numa mentira, numa teoria e não perdemos tempo a procura da resposta e acabamos por viver os nossos dias. Ámen:D tudo tem uma razão, tudo tem uma lógica:) hasta senhorita;)