quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Loneliness

Quando olho em volta, vejo pessoas. Pessoas alegres, pessoas animadas, pessoas que se viram pela primeira vez ontem, há algumas semanas, há dois ou três meses e já se chamam de "amigas" como se se conhecessem desde sempre.
Quando olho em volta vejo sorrisos, abraços, segredos, cumplicidades e brincadeiras, traços de amizades íntimas e verdadeiras, que parecem durar há anos e que nunca irão terminar.
Quando olho em volta vejo grupos e multidões e nunca pessoas sozinhas, perdidas, com ar de desespero.
Ou talvez essas pessoas até existam, apenas ninguém as nota, de tão perdidas que estão no meio da enchente. É quase impossível alguém se aperceber da sua presença. É apenas "mais um". Um "alguém", um "ninguém sabe quem".
Alguém que se deixa levar, sem destino, sem qualquer vontade ou objectivo, andando à deriva, guiado apenas pelos pés, que caminham involuntariamente na direcção que a multidão segue. Ou talvez não. Talvez se aperceba a tempo que não é aquela a direcção que deve seguir porque as multidões também se dispersam e, no momento em que isso acontecer, encontrar-se-á sozinho de novo.
Aliás, não de novo, na verdade apenas continuará sozinho, sem, muito provavelmente, se ter apercebido que nunca o deixou de estar.
Tenta encontrar conforto nas pessoas que, um dia, também conheceu e com as quais também riu, sorriu, chorou e brincou. Mas também essas pessoas caminham num ritmo acelerado em direcção a novos destinos. E aí, esse "alguém" apercebe-se que talvez seja melhor deixá-las ir. Afinal é inevitável. As multidões arrastam-nas com uma força invencível. Mas porque não o levam a ele também? O que falhou na sua caminhada? Terá optado por caminhos sem saída? Muito provavelmente.
Assim como é inevitável ver os outros partir, é também inevitável, para si mesmo, ficar no mesmo sítio. Talvez seja essa a melhor opção. Quem nunca foi "alguém" nunca poderá vir a ser.
O mundo não pára porque uma pessoa se perde. As multidões não deixam de seguir o seu caminho, só porque um fica para trás. A vida segue em frente e não espera por aqueles que se prendem ao passado. Apenas o futuro importa, a mudança grita desesperadamente em busca de uma resposta, o tempo urge. E quem pode evitá-lo? Quem pode competir com isso? Quem pode pedir ao tempo que páre, espere e tenha paciência? Quem pode pedir auxílio às multidões?
As multidões nunca param e nunca olham para trás. E é isso que está "certo" porque é essa a ordem natural da vida. Não importa se há pessoas a cair, a sofrer e a errar. Todos os que caem, sofrem e erram não passam de excepções à regra, meros casos perdidos com os quais não vale a pena se preocuparem.
"É assim a vida", é o que dizem.
Pois é, é assim a vida. Infelizmente, digo eu.