sábado, 16 de outubro de 2010

Existir. Ilusão ou realidade?

A existência é uma ilusão na qual cremos viver.

É tão fácil desaparecer, deixar de estar. Não tanto deixar de ser mas deixar de estar. Deixar de existir, pensar, sentir. Como se nunca tivéssemos estado. Como se nunca por aqui tivéssemos passado. Perdemos tudo quando partimos. Deixamos tudo para trás. Perdemos, acima de tudo, o sentido de termos existido. Porque existimos afinal?

Não faz sentido, nós não fazemos sentido. Pretendemos dar tanto valor e tanta importância a uma coisa que não é nossa, que não nos pertence: a vida que julgamos ter, que tomamos por certa e garantida, que tentamos preservar ao máximo. Mas ela não é nossa. Será alguma coisa sequer? Será real, verdadeira?
A vida é um empréstimo do qual, com muita sorte, podemos usufruir durante muito tempo ou que, pelo contrário, pode esgotar-se antes do tempo previsto (ou desejado, já que nunca há uma previsão do fim). Mas nunca é nossa. Passa por nós como um bem do qual não queremos abdicar porque nos garante tantas possibilidades que não teríamos de nenhuma outra maneira. Porque não há outra maneira de ser ou estar ou ter. Não há outra maneira de existir. Não há outras estâncias, outro Tempo, outro Espaço, outra realidade, outro Universo. O contrário de existir é não existir. E o não existir é o vazio, o vácuo, o nada. O que é ser nada? Talvez tudo seja nada. Talvez viver seja nada. Porque, no fundo, o viver não chega a existir. Não perdura em nenhum lugar, em nenhum Tempo nem em nenhum Espaço. Não é permanente, não é recuperável. É instável e frágil. Leve e fugitivo como o vento.
Sentimos, pensamos, desejamos, sonhamos. Mas tudo isso é nada. Nada disso existe de facto. É o vácuo. Não é vida, não é matéria.
Talvez viver seja uma sorte, um acaso, um golpe do destino. Ou talvez seja apenas um equívoco. Talvez a existência seja um equívoco. Um engano da Natureza. Talvez a própria Natureza seja um equívoco. Como pode alguma coisa surgir do Nada? Como pode o Nada existir se o Nada é nada e se tudo o que é nada não existe?
Se toda a base da nossa existência surgiu do Nada, também nós somos Nada. E não existimos. Logo, nada disto faz sentido.

Nós não deveríamos estar aqui. Porque somos humanos e não outra espécie qualquer? Porque vivemos neste planeta e não noutro qualquer? E porque não pode existir vida noutros planetas? Porque existe apenas um Universo? E como pode esse Universo não ter fim se toda e qualquer existência tem um Fim? Será que o Universo não existe ou será que é apenas uma parte de uma realidade muito maior que o rodeia? Se tudo tem um limite porque é que o Universo é infinito? Porque não há uma explicação para isso? Será porque é um vácuo? Mas o que é o vácuo afinal? O que existia antes do vácuo? O que originou o vácuo? Como é que o vácuo deu origem a algo material, vivo, real, consistente? Porque é mais fácil acreditar que existe um Criador do que aceitar a ideia de que estamos aqui devido a um equívoco da Natureza, um erro de cálculo ou uma experiência que correu mal?

Não acredito que sejamos seres superiores aos outros, muito menos que tenhamos sido criados à semelhança de alguém. Como poderia alguém ter inteligência para criar seres complexos como nós se somos considerados os seres mais inteligentes e com mais capacidades mentais até agora conhecidos? Esse alguém teria de ser muito mais inteligente do que nós e ainda não houve ninguém que encontrasse provas da existência de alguém com tais capacidades. Aliás, se houvesse de facto, alguém tão inteligente e habilidoso, nunca teria criado seres com tantos defeitos, porque estamos muito longe da perfeição.
Acredito somente que somos resultado de um dos inúmeros equívocos da Natureza. E que não deveríamos pensar, muito menos sentir porque não há nada neste Mundo, neste Universo, que faça sentido, logo não deveríamos ter tanta noção do que nos rodeia. Sofremos durante a vida e sofremos por saber que um dia vamos deixar de existir e vamos perder tudo e todos. Então qual é o sentido de estarmos aqui? Porque haveria alguém de nos criar se a nossa existência não faz sentido? Não acredito que exista outra estância, outro plano temporal, espacial ou existencial para além deste em que julgamos viver. Não acredito em nenhum outro tipo de existência para além da existência física e material. Não faz sentido que tenhamos sido idealizados, programados, predefinidos por alguém. Não faz sentido que alguém nos tenha colocado aqui. Poderíamos ser um outro ser vivo qualquer. Poderíamos viver da mesma forma que eles. E, de facto, vivemos como eles, tentamos sobreviver tal como eles mas com as nossas particularidades físicas, mentais, culturais e civilizacionais. E, na minha opinião, isso não é justo. Nascemos e morremos como eles mas, ao contrário deles, temos noção disso. Temos noção do que somos e de como vamos terminar. E isso traz um sofrimento acrescido e, muito provavelmente, desnecessário. Bastar-nos-ia viver à maneira deles, já que em termos de existência não temos vantagens (não temos passagem para um mundo melhor nem possibilidade de viver de novo). Bastar-nos-ia limitarmo-nos a existir como eles, ainda que isso não fizesse sentido. Mas a verdade é que viver como nós vivemos também não faz sentido, portanto a minha opinião (ainda que ridícula) mantém-se.


Aceitam-se opiniões e ideias diferentes : )

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Universidade? WTF?!!

Nunca pensei que este momento fosse chegar. Poderia estar orgulhosa ou satisfeita mas nunca estou. Não consigo, ainda que saiba que muitas pessoas adorariam chegar aqui. Eu diria que chegar aqui não é difícil. O pior é conseguir acabar esta jornada.
São tantas mudanças e tantos medos. Medo do que é novo, medo daquilo que nunca vivemos antes. Medo daquilo que sempre tememos e que, finalmente, chegou.
Vejo tantas pessoas felizes e chego a sentir raiva delas. Então sinto vontade de odiar tudo aquilo que elas adoram, só para ser diferente, só para contrariar. Nem sempre é fácil ser assim mas não consigo (ou não quero) ser de outra maneira.
Sinto-me confusa tantas vezes. Pergunto-me se isto será a coisa correcta a fazer, se não deveria seguir outro caminho, se conseguirei ultrapassar todos os obstáculos com que me vou deparar. Não me sinto capaz de enfrentar tudo isto sozinha. Até aqui tive a família e os amigos do meu lado todos os dias. A partir de agora vão ser muitos os dias em que me vou sentir completamente sozinha, apesar de estar rodeada de multidões (talvez isso seja o pior, as multidões). Vou sentir falta de um porto de abrigo, de um lugar que me faça sentir segura e tranquila (não há nada melhor do que ficarmos fechados no nosso próprio quarto depois de um dia mau e chorar na nossa própria cama).
Mas agora é hora de enfrentar os monstros sozinha (ninguém os pode enfrentar por mim). É hora de deixar para trás todos os fantasmas, todos os medos e todos os obstáculos. Será isso possível? Talvez. Mas é tão difícil. Vão haver muitos momentos em que vou querer desistir e vou sentir-me completamente desesperada (nem a minha mente permitiria que fosse de outra maneira).
Cinco anos parece uma eternidade mas a verdade é que tudo passa tão depressa, até mesmo os maus momentos, embora quando os vivemos, pareçam não ter fim. No final, nem conseguimos acreditar que tudo acabou e, ao invés de ficarmos aliviados, só conseguimos sentir uma espécie de incredulidade, como se ficássemos impávidos e incapazes de reagir.
Por um lado, desejo que isto passe depressa. Quando algumas pessoas me dizem que estes serão os melhores anos da minha vida não consigo acreditar. Mas não ponho de lado essa hipótese. Não rejeito a possibilidade de vir a mudar de ideias. Mas neste momento penso assim (aliás, sempre pensei assim). Sempre olhei para estas mudanças como um pesadelo e nunca consegui sequer colocar a hipótese de ser algo bom. Acho que isso acontece porque eu gosto de ser surpreendida. Gosto de subvalorizar, menosprezar as coisas para que, no caso de algo correr mal, não se tornem uma desilusão. O mesmo acontece com as pessoas. Tenho muita dificuldade em confiar nelas e aproximar-me demasiado. Prefiro que se aproximem de mim e me mostrem que realmente são de confiança. Estou à espera que a vida me surpreenda pelo lado positivo, apesar de olhar para ela SEMPRE pelo lado negativo.

Vou considerar a hipótese de, um dia, vir a gostar daquilo. Se isso acontecer, então admitirei que estava errada e que os outros sempre tiveram razão. Caso contrário, mantenho o meu orgulho e não me vou cansar de repetir "eu tenho sempre razão" (o que é mentira porque é impossível alguém ter sempre razão).

Sim, sou chata, teimosa, pessimista, fatalista, calculista, egoísta, demasiado selectiva, inflexível nas minhas opiniões, incapaz de compreender visões que não sejam as minhas, dificilmente dou o braço a torcer e odeio admitir que estou errada perante os outros (ainda que tenha a completa noção dos meus erros e esteja sempre a repeti-los para mim mesma). Portanto podem criticar-me à vontade porque eu sei que têm razão.


Fiquem bem!