sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

PAIN. PAIN. PAIN


(Broken Promise - Placebo feat. Michael Stipe)


Tenho pouco a dizer. A música é o único meio que pode exprimir o que eu estou a sentir neste momento. As palavras de nada valem e, além disso, ninguém compreende. Afinal sou infantil, exagerada e ridícula. Sou má para os outros, sou injusta e irritante. Eles nunca me magoam e o que eles fazem não tem importância alguma. Se calhar eu é que me magoo com coisas absurdas  (sei que a ironia é uma coisa feia mas cansei-me de tentar parecer eticamente correcta. É para que todos percebam definitivamente que sou mal-educada, arrogante e cruel).
Estão todos muito certos acerca de tudo. Os adultos sabem sempre o que dizem.
O certo é que não se pode confiar em ninguém (nem mesmo neles). Não se pode confiar nas pessoas.
E, a partir de agora, será tudo muito diferente (pelo menos vou tentar fazer por isso). Nem que esteja a definhar por dentro, não serei mais a chata, a rabugenta que faz birras e "cenas infantis". Mesmo que só me apeteça explodir, vou guardar tudo cá dentro. Ah, já prometi isso antes e voltei a cometer os mesmos erros. Mas agora talvez seja a sério.
Acabou tudo.
O mundo é um lugar deprimente. Ou talvez as pessoas o tornem deprimente.
Pensando no lado positivo que, por sinal, também tem um lado negativo (como tudo na vida), só faltam cerca de 5 meses para sair daquele inferno. Depois serei livre (ou talvez não).
O que mais queria era sair deste lugar mas como isso é impossível, terei de aguentar. É o que todos dizem. (Só porque outras pessoas passam por isto facilmente, não quer dizer que eu tenha de ser como elas).
Porque quase toda a gente passa por isto, segundo dizem, e há pessoas a passar por coisas piores.
Sorte dessas pessoas (se é possível haver sorte numa vida desgraçada e miserável como a delas) por não terem uma mente como a minha, senão já teriam acabado com as suas vidas de forma voluntária mas, felizmente, são muito mais fortes do que eu e passam por essas coisas horríveis sem pensarem metade das barbaridades que eu penso!
Conclusão: não é a situação que estamos a viver que define o grau de sofrimento que ela implica mas sim o modo como lidamos com ela. Porque afinal «não é o desafio que define quem somos; o que nos define é o modo como encaramos esse desafio».
E, infelizmente, eu encaro os desafios de uma forma muito dramática e talvez até exagerada.
Mas, sinceramente, passaria por todas as fases anteriores da minha vida de novo só para não passar por esta. E, se pudesse, mudaria muitas coisas.
Fazem lá ideia de quanto custa levantar-me todos os dias para ir para aquela porcaria de lugar. Odeio isto!

Uma parte deste texto foi baseada na ironia propositadamente só porque me apeteceu (apetece-me, está bem? pode ser?). Outra parte é mesmo aquilo que sinto, penso e que sei que é verdade.
Foi um texto estúpido e tipicamente adolescente. Ao menos nisso posso ser como algumas das outras, não é? ;D No entanto, são poucas as pessoas (raparigas neste caso, para poder comparar comigo porque os rapazes não têm comparação possível dado que a maturidade nem sempre é equivalente. isto foi uma piada estúpida) de 17 anos que pensam coisas tão absurdas. Normalmente acontece mais cedo. Mas eu gosto de ser atrasada.

Bem, esqueçam tudo. Oiçam a música e sintam a letra. É suficiente. Não preciso dizer mais nada.

Adeus!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Magical Moments



Por mais horríveis que sejam os nossos dias, é sempre possível haver um momento de paz. É possível atingir a harmonia. Esse momento pode durar pouco mas, por vezes, é tão mágico que é impossível nos esquecermos dele.
Não sei como explicar o que sinto nesses momentos. É como se, de repente, todas as pessoas à minha volta tivessem desaparecido. A Natureza tem o poder de nos fazer sentir assim. Só a Natureza nos pode dar alguma sensação de tranquilidade quando as pesssoas à nossa volta já não o conseguem fazer.
Há momentos em que simplesmente precisamos de estar sós. Isso é necessário e é saudável. Há momentos em que ouvir os outros incomoda demasiado e só dá vontade de mandá-los embora mas não o podemos fazer porque são nossos amigos, só querem o nosso bem e não podemos magoá-los. Mas quantas vezes é que todos nós já sentimos vontade de dizer "deixem-me sozinho(a)"? Imensas.
Felizmente há pessoas que compreendem isso e, mesmo sem o dizermos, nos fazem a vontade. Outras, pelo contrário, insistem em tentar animar-nos ou, pior do que isso, exigem que respondamos às suas perguntas aborrecidas quando só nos apetece estar em silêncio. Embora muitas vezes se pense o contrário, esses não são os melhores amigos. Os melhores amigos são os que respeitam o nosso silêncio, a nossa vontade de estar sozinhos, a nossa dor, os nossos momentos de reflexão, a nossa necessidade de espaço e tempo.
Infelizmente, não há muitos amigos desses.

Comecei por publicar uma foto que tirei ontem. De alguma forma foi um momento bom para mim. Por mais horrível que tenha sido o meu dia. Por mais horrível que tenha sido esta semana. Por mais horríveis que tenham sido estes últimos meses.
Nesse momento, encontrei-me comigo mesma. Desliguei dos outros, desliguei do mundo. O melhor remédio, nessas alturas, é não pensar em nada.

Já prometi a mim mesma que iria mudar a minha atitude em relação ao que me está a acontecer. Prometi que iria enterrar tudo o que sinto bem no fundo de mim, que guardaria as minhas lágrimas para quando estivesse sozinha, que não voltaria a chorar em frente aos outros (pelo menos por este motivo), que esqueceria os sonhos e as ilusões do passado, que libertar-me-ia das coisas que me perturbam neste momento. Prometi que seria livre. Um dia.
Claro que pensar essas coisas é muito mais fácil quando estamos longe do outros, longe dos lugares onde as coisas que nos perturbam acontecem, quando estamos sozinhos envolvidos pela escuridão da noite.
Quando nos deparamos com as coisas más é muito mais difícil aguentar esse pensamento e resistir. Podemos aguentar por algumas horas, talvez até um dia ou dois, mas sabemos que mais cedo ou mais tarde vamos voltar a cair. É inevitável. Vivemos numa inquietação constante, sempre com medo daquilo com que nos vamos deparar a seguir. Vivemos sempre na expectativa de sofrer, à espera que a dor nos acerte em cheio uma vez mais e nos faça perder as forças. Vivemos sempre na defensiva, com necessidade de ver a realidade mas, ao mesmo tempo, com receio dela. Ficamos amedrontados, aterrorizados, porque sabemos que ela é demasiado insuportável. No entanto, é necessária.
O choque inicial de uma queda ou de um golpe é necessário para nos fazer cair na realidade. Sofrer é necessário para nos fazer crescer. As desilusões são necessárias para nos ajudar a esquecer o passado e a seguir em frente.
Nesses momentos é difícil ser racional, manter a calma e relembrar todos os pensamentos positivos e encorajadores que repetimos para nós mesmos anteriormente.
Será melhor cair na realidade de uma vez ou aos poucos? Obviamente seria preferível não cair de maneira nenhuma. Obviamente, cair de uma vez é muito mais doloroso. Mas dura menos tempo e, provavelmente, é mais eficaz. Cair aos poucos é igualmente doloroso e faz com que a dor se estenda por muito mais tempo.
Talvez seja preferível cair de uma vez. Ao menos não há hipótese de se levantar para depois se cair de novo. Ao menos levanta-se de uma vez e segue-se em frente. São menos quedas e menos desilusões. Não há tempo para pensar demasiado sobre isso nem para voltar a sofrer outra desilusão. Acontece tudo de uma vez. (ao menos que comigo fosse assim)

Anseio pela minha liberdade. Ontem, naquele momento que referi, senti-me bem perto disso. Senti-me regressar à inocência da infância. Sentada num baloiço, a ouvir música, senti-me capaz de levantar voo. O céu estava cheio de nuvens cinzentas mas via-se o Sol por entre elas. De cada vez que o baloiço subia, o Sol inundava-me por completo. Foi uma sensação tão boa. Parecia até que, com um pouco mais de impulsão, conseguiria chegar às nuvens. Sem dúvida, a Natureza e a música, conjugadas, conseguem transmitir-nos sensações inexplicáveis. Naquele momento, precisava disso.
«The sun will shine like never before, one day I will be ready to go, see the world behind my wall». Esta era uma das músicas que eu estava a ouvir e cuja letra tem um significado muito importante para mim (É a última que eu coloquei aqui dos Tokio Hotel).
Momentos destes poderiam acontecer com muito mais frequência se não estivéssemos tão embrenhados nas nossas preocupações banais, nas nossas tristezas, nas nossas futilidades humanas, nas nossas dores, nos nossos pensamentos tantas vezes inúteis. A Natureza oferece-nos pequenos milagres todos os dias e nós não conseguimos aproveitá-los.
Era isto que eu queria partilhar com vocês. Se quiserem, também podem partilhar comigo momentos idênticos a este que já tenham vivido. Talvez assim o blog se torne mais interessante.


Fiquem bem!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Crises cíclicas [Socorro!]

Olá a todos.

Parece que já estamos em 2010, o novo ano tão esperado por muita gente. Não sei porque é que as pessoas encaram com tantas expectativas a mudança de ano. Afinal um ano é apenas uma forma de contar 365 (ou 366) dias da nossa vida. Serão apenas mais uns dias como todos os outros, certamente com mudanças mas não necessariamente dias melhores. Para mim, parece que este vai ser um ano como todos os outros ou pior. Melhor não será (à excepção de algum acontecimento muito especial que poderá ou não acontecer).
Todos os desejos que pedimos no início de um novo ano são aqueles que devíamos tentar concretizar todos os dias da nossa vida e não apenas no início de um ano novo. É óbvio que há aqueles desejos que não dependem minimamente de nós e, quanto a esses, creio que não há nada a fazer a não ser ter paciência e esperar. Podem demorar anos a concretizar-se ou podem sequer nunca vir a concretizar-se mas não temos nenhuma hipótese a não ser aguentar e ter esperança, a tal palavra tão adorada por alguns, tão usada e tão saturada.


Não sei o que escrever. Estou numa das piores (se não mesmo a pior) fases da minha adolescência. Poderia dizer que é a crise dos 17 mas a verdade é que sempre tive crises. Talvez o problema seja eu e não a adolescência, talvez não tenha nada a ver com a idade. Há pessoas que passam pela adolescência com toda a normalidade. Naturalmente varia com as pessoas. E, no meu caso, é uma fase demasiado ingrata. Para que é que eu preciso de uma adolescência? Só se for para acentuar ainda mais as coisas más que penso de mim mesma. Era suposto levar da adolescência boas recordações, boas experiências, até mesmo lições de vida que me ajudassem a amadurecer. Mas parece que a adolescência só me está a tornar mais estúpida do que já era.
Estou tão longe daquilo que as outras raparigas da minha idade são, estou tão longe de ser aquilo que sonhei. Há momentos em que desejo ser uma pessoa completamente diferente. Adorava entrar no corpo de outra pessoa (isso só seria possível se tivesse um espírito, coisa em que não acredito). Odeio viver acorrentada à pessoa que sou. Há momentos em que penso que não aguento mais existir.
Nunca me sinto completamente bem, nunca estou completamente satisfeita, nunca me sinto feliz com aquilo que tenho. É horrível viver neste estado de insatisfação constante e permanente. Desse modo, é claro que viver se torna difícil.
Qualquer coisa que acontece na minha vida faz-me acreditar que eu realmente atraio as coisas más, que essas mesmas coisas só acontecem por eu ser como sou, que nada acontece como eu quero, que nunca vou ser feliz, que a minha vida é um fracasso. É um choque em cadeia. Posso não ter a mínima culpa daquilo que está a acontecer mas um primeiro pensamento negativo leva-me sempre a outros pensamentos negativos, que por sua vez me levam sempre à mesma conclusão: sou uma fracassada.
Parece que o nosso cérebro tem esta triste (ou brilhante) capacidade de formar um enorme e complexo puzzle a partir de uma única e simples peça.
As pessoas são demasiado complicadas e incompreensíveis. A vida é demasiado estranha e confusa. O mundo parece demasiado assustador e misterioso.
Tudo seria mais fácil se não fôssemos humanos. As nossas capacidades humanas, a nossa razão, a nossa capacidade de pensar e sentir, que supostamente deveriam facilitar-nos a vida, complicam ainda mais as coisas. Tudo seria diferente se a nossa mente funcionasse de outra maneira. A vida seria mais fácil se fôssemos irracionais. Mas não somos. E isso faz toda a diferença.

Provavelmente, nos próximos tempos, todos os posts que eu escrever deverão ser deprimentes e aborrecidos como este e como os anteriores. Aliás, como todos os que escevi neste blog desde o início. Sempre escrevi coisas chatas e sem interesse. Não sei se poderei dizer que isto é uma crise da idade porque, se lerem os arquivos do blog, verão que escrevo coisas estúpidas desde o fim dos meus 13 anos. Então talvez o problema seja mesmo eu. Cresci mas continuo a ser a miúda imatura que pensa que nasceu para sofrer, para desiludir-se a si mesma e aos outros, para poluir e degradar o ambiente e pouco mais. Ainda não faço ideia do que estou a fazer neste mundo. E aqui entra, mais uma vez, a questão do sentido da vida. É algo que me atormenta e inquieta frequentemente.

Espero que tenham um óptimo ano e que realizem alguns dos vossos desejos. É impossível concretizarmos todos os nossos desejos e sonhos (muitas vezes tão exigentes) num tão curto espaço de tempo mas temos de ter paciência, não é verdade?

Fiquem bem!