terça-feira, 22 de setembro de 2009

Já sei que nunca adianta dizer que da próxima vez farei um post optimista. Isso nunca acontece e, nos próximos tempos, dificilmente acontecerá. Lamento muito mas não tenho culpa de ser assim e não tenho culpa de me sentir no fundo do poço.
Afinal este é só mais um ano como todos os outros. E nem pensei que pudesse ser diferente. Acho que o conformismo está mais do que entranhado em mim.
Adolescência? Que porcaria é essa? Não me venham cá dizer que é uma fase maravilhosa porque não concordarei (a não ser quando estiver bem velha ou às portas da morte).
A minha auto-estima está completamente no fundo se é que existe um fundo neste buraco escuro em que me encontro.
Lá estou eu a exagerar (Típico).
Odeio a minha imagem. Odeio tudo em mim. E nada me pode fazer mudar de ideias. Basta olhar-me ao espelho para perceber por que razão sou tão desprezível. Odeio a minha cara, odeio o meu corpo.
Não sou como as outras raparigas de 17 anos. Quem vai interessar-se por uma miúda reles, completamente magricela e com a cara cheia de borbulhas? Ninguém.
Não adianta dizerem que isso não tem importância nenhuma. Quem se lembra do que é ser adolescente não pode condenar-me. Só que, neste caso, a diferença entre mim e a grande maioria dos outros adolescentes é que eu não tenho meros momentos de desânimo, não tenho meros complexos e alterações de humor numa certa altura do mês, não tenho meras descidas do nível de auto-estima. Estes pensamentos são constantes, são diários, são permanentes. E têm um tal controlo sobre mim que conseguem deixar-me de rastos.
Posso estar a exagerar de novo. Afinal quando estou "em baixo" tenho tendência para exagerar mais do que o normal. E acho que tenho alguma noção disso.
Mas a verdade é que não me sinto bem comigo mesma. E não sei se alguma vez vou sentir. Acho que nunca vou atingir o meu equilíbrio interior. Quando digo que quero mudar não é apenas psicologicamente ou a nível comportamental. É também fisicamente. Mas já disse a mim mesma "não há nada a fazer". E mesmo assim não consigo deixar de me sentir mal.
Se calhar sou injusta ( e também tenho noção disso) e talvez não mereça nada do que tenho.
Por vezes não consigo controlar a minha raiva e revolta em relação a outras pessoas. Não consigo evitá-lo, é mais forte do que eu. Talvez no fundo seja apenas inveja (Não sou tão ingénua e boa pessoa como aparento ser). Há muitas coisas que os outros não sabem sobre mim. E também não precisam saber. A verdade é que consigo ser fria e arrogante quando a situação o exige.
Deixei de acreditar em muitas coisas. Começo a achar que os sonhos de nada valem. E ter esperança também não. Porque atrás dos sonhos e da esperança vem sempre (ou quase sempre) a desilusão. E depois é muito mais difícil voltar a acreditar e a sentir vontade de viver. O melhor é viver sem acreditar em nada. Pode ser que, desse modo, a vida nos impressione. É preferível viver desse modo.


Acho que vou acabar por aqui. No fundo, isto foi um mero desabafo. Podia nem sequer publicá-lo como faço tantas vezes mas...parece que é para isso que o blog serve.
Peço desculpa se feri susceptibilidades.

Fiquem bem!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Sou aquilo que os outros me fazem ser

Aqui estou eu de novo. Não quero sequer pensar que as férias estão a acabar e que o pesadelo vai recomeçar. Mas mesmo não querendo, acabo por pensar de qualquer maneira.

Sinto vontade de escrever mas não sei o que dizer. Só me ocorrem pensamentos deprimentes, coisas que aborrecem os outros e que até a mim mesma saturam.
Mas de que adianta escrever sobre banalidades ou coisas que não sinto nem têm a mínima importância para mim?
Preciso falar sobre as coisas que me atormentam. Mesmo que isso aborreça os outros. Eu preciso disto.
Estou sempre a repetir o mesmo, é verdade. Não me liberto dos maus pensamentos porque insisto em pensar nas coisas más. Também é verdade. Mas quem consegue abstrair-se das coisas más quando elas estão sempre lá, quando os outros fazem questão de as lembrar, quando os outros nos fazem sentir ainda pior do que já estamos?
Juro que às vezes gostava de poder fugir.
Estou farta de me sentir um fardo para os outros. Estou farta de ouvir todos os dias as mesmas conversas deprimentes. Por vezes só queria ter um momento de paz, uma vida estável, uma adolescência normal. Mas já sei que isso é pedir muito.
As outras pessoas não compreendem. Nem fazem ideia porque é que me sinto assim.
Estou farta deste lugar.
Mesmo que eu tente ser normal, nunca serei. Não no meio dos outros adolescentes. Não enquanto estiver aqui.
Estou farta da opressão, do preconceito relativamente à diferença.
Durante toda a minha vida só ouvi coisas do género "não podes dizer isso", "cala-te que alguém pode ouvir", "nunca faças isso", "devias ser como aquela(s)",etc.
Proibições, imposições, comparações.
Ainda bem que descobri que há mais mundo para além disto. Ainda bem que descobri que poderei construir o meu caminho, à minha maneira e que posso ter opiniões e ideias diferentes das dos outros. Um dia. Quando estiver preparada para isso.
Neste momento (ainda) não consigo deixar de permitir que os outros me façam sentir culpada por tudo o que acontece de errado à minha volta. Preciso crescer (muito) para conseguir inverter essa situação, para permitir-me culpar alguém por alguma coisa que está errada na minha vida. No entanto, eu sei que a culpa não é inteiramente minha. Simplesmente ainda não consigo deixar de me sentir um peso nas vidas dos outros, um estorvo, uma causadora de chatices e aborrecimentos, chegando ao ponto de, muitas vezes, pensar que seria melhor não ter nascido. Mas nem nisso tenho culpa portanto nada posso fazer para o mudar.
Eu tenho problemas, os outros têm problemas, todos temos problemas. Só não queria, jamais, que os meus problemas fossem um transtorno para os outros. Mas se, muitas vezes, os outros também fazem questão de tornar os seus problemas num transtorno para mim, será que devo culpar-me desta maneira? Talvez não.

Enfim, por vezes sou egoísta, injusta e drasticamente exagerada. Não me levem demasiado a sério.

Até ao próximo post (prometo que vou tentar não ser tão pessimista).
Fiquem bem.