domingo, 9 de agosto de 2009


(Welcome To My Life - Simple Plan)

Estou em mais uma daquelas fases incompreensíveis. No fundo, sinto que sempre fui diferente daqueles que me rodeiam e nunca deixarei de ser. E isso é frustrante. Muito.
Todos mudam. Só eu é que não. E não percebo porquê. Pergunto-me a toda a hora se a culpa é minha, se poderia fazer algo para ser diferente. Mas chego sempre à mesma conclusão: por mais que eu tente parecer diferente, mesmo que tente acreditar que mudei um pouco, que evoluí, que cresci, nunca vou conseguir livrar-me do sentimento de inferioridade, do medo completamente exagerado e despropositado.
Falta menos de um ano para completar 18 anos, aquela idade que muitos consideram a passagem para a maioridade. E em relação a isso só sinto medo. Sempre olhei para os adultos como pessoas muito superiores a mim, não só na idade mas na autoridade, na capacidade de controlo, na responsabilidade. Achava ou esperava que quando chegasse à idade deles conseguiria ser como eles. E agora não falta tanto tempo assim e eu sinto-me assustada, desamparada, perdida.
Não consigo deixar de culpar esta adolescente cobarde que sou agora, não consigo deixar de sentir que desiludi aquela criança que fui um dia, a criança que tinha esperança de um dia crescer, ganhar asas e voar. E ao mesmo tempo, não consigo deixar de culpar essa criança, porque se ela tivesse enfrentado o medo mais cedo, agora tudo seria diferente e eu poderia ser uma adolescente normal (ou quase).
Isto é ridículo. Eu sei. Como posso dividir-me em duas partes e deixar que essas duas partes se culpem uma à outra se, no fundo, essas partes constituem uma pessoa só? Na verdade, a única pessoa a quem quero atribuir culpas sou eu mesma, só não quero admiti-lo porque sei que isso não é correcto. Então vivo nesta batalha estúpida a tentar agarrar-me a uma prova inexistente de que nada posso fazer para evitar estas circunstâncias. Procuro uma razão para me conformar. E, no entanto, sei que a única coisa a fazer é continuar a enfrentar e a lutar, se assim alguma vez lhe pude chamar.
Durante mais de 10 anos fugi, escondi-me, refugiei-me no meu conformismo e também no conformismo daqueles que me rodeavam. Quando senti que não podia fugir mais, tentei deixar-me levar. E porque é tão difícil libertar-me por completo destas correntes que me prendem ao passado?
Se as pessoas continuam a olhar para mim como olhavam há vários anos atrás, como querem que eu me liberte?
Não posso culpá-las por nada saberem sobre mim, por serem ignorantes (nesse aspecto), por não saberem como lidar com a situação mas continua a magoar quando as oiço fazerem perguntas do género "então, ela já soltou a língua?", como se eu não estivesse ali e vou-me embora só para não ouvir a conversa apesar de saber que lhes respondem que "graças a deus, está melhor. Está a ir".
Quem me dera poder dizer às pessoas que não foi deus nenhum a ajudar-me, que acreditei demasiado tempo que isso ia acontecer e que, felizmente, percebi um dia que não haveria um milagre, que não acordaria um dia com vontade de falar com toda a gente porque tinha sido iluminada pela graça divina. Fui estúpida o suficiente para, durante muito tempo, acreditar que a força e a vontade de mudar caíria do céu ou de qualquer outro sítio.
Agora, não tenho qualquer fé em fenómenos divinos e, apesar de isso não me fazer mais feliz, também não me faz mais infeliz. É uma pena que tenha nascido num lugar onde para as pessoas, tudo o que acontece é por obra divina. Certamente deviam achar que eu sempre estive possessa por algum espírito maligno. O que mais me revolta não é a ignorância dos outros, é a estupidez.
Penso que por hoje já desabafei o suficiente, talvez o suficiente para chocar alguém e peço desculpa se o fiz.
Já agora, sei que algumas pessoas vão ficar a pensar que estou assim porque aconteceu alguma coisa recentemente. Não é verdade, tudo o que escrevi aqui são coisas que se vão acumulando lá no fundo e de vez em quando emergem, como aconteceu agora. Não tem qualquer importância :)
Quanto ao vídeo que coloquei no início do post, acho que a letra enquadra-se perfeitamente no meu estado de espírito naqueles momentos em que estou mesmo no fundo.
Agora já estou melhor. Desabafar é um bom remédio.

Fiquem bem.