quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Memórias.

Olá a todos.
Hoje venho apenas actualizar. Não se preocupem porque não vos vou aborrecer com discursos deprimentes como fiz no último post. Penso eu.
Muitas vezes penso constantemente no passado. Penso nas lembranças más, mas principalmente nas memórias boas. Mas estas parecem tão poucas, tão distantes, tão raras. Talvez por isso mais preciosas.
Não fui uma criança propriamente feliz. Mas a verdade é que tive muita sorte. Pelos amigos que tive, pela família, pelas oportunidades que foram surgindo ao longo da minha vida. Nem sei bem que oportunidades foram essas mas eu sei que as tive. Só que talvez não as tenha aproveitado da melhor maneira.

Hoje ao olhar para trás sinto uma certa nostalgia. Sinto algumas saudades do tempo em que não tinha grandes preocupações e em que conseguia esquecer os problemas. Eles estavam lá mas eu era capaz de abstrair-me deles. Tenho saudades das brincadeiras que fazia com os amigos, da liberdade que sentia quando brincava no campo sem me preocupar se ficava suja de terra. Amigos. Os velhos amigos de infância. Já nem sei se posso chamá-los de amigos. Hoje nem sei para onde eles foram nem para onde vão. Os nossos caminhos separaram-se. Já nem as amigas com quem vivi todos os anos desde o jardim de infância até ao 9º ano têm grande contacto comigo. É realmente estranho. Mas talvez isso tivesse que acontecer, talvez estivesse destinado. Faz parte da vida. As pessoas crescem, mudam, tomam rumos diferentes e acabam por separar-se. Mas custa aceitá-lo porque vivemos tantos momentos juntos com aqueles amigos, partilhámos tantas brincadeiras, fomos tão cúmplices e depois esquecemo-nos de tudo isso. Esquecemo-nos das pessoas. É difícil perceber isto.

E é nestas alturas, quando pensamos em tudo isto, que percebemos como tudo na vida é passageiro, como tudo é instável e frágil, como tudo se pode desvanecer de um momento para o outro.
O passado desapareceu. O que resta de tudo aquilo que vivemos? Nada. Tudo aquilo que um dia foi real e tocável, desmaterializou-se. Não passa de lembranças, recordações, memórias. Tudo abstracto. Está tudo na nossa mente. E um dia nem isso restará. Quando a nossa alma deixar de existir, perder-se-á tudo no tempo. Até mesmo as memórias. Tudo será esquecido, apagado. E é por isto que por vezes eu me interrogo porquê e para que é que vivemos. É algo que me inquieta frequentemente.

Mas o que me inquieta acima de tudo é o futuro. O futuro é o que mais temo. Temo não saber o que vai acontecer amanhã. Temo o desconhecido. De cada vez que penso nisso sinto-me angustiada, assustada, preocupada, inquieta. Tenho tantos medos, tantos receios, tantas dúvidas. Sei que é essencial sentir isto e que um dia todos esses medos e dúvidas desaparecerão porque quando as coisas acontecerem saberemos finalmente como são. Mas por enquanto, não consigo evitar sentir isto. Medo, verdadeiro medo. Sei que temos de pensar apenas no presente, caso contrário não conseguiremos viver nem aproveitar cada momento da vida. Sei que temos de olhar para a vida como um desafio, como um filme cujo final não conhecemos, como um jogo em que não sabemos quem vai perder nem quem vai ganhar e onde precisamos apostar tudo para vencer. O presente é o mais importante, sim é. Não adianta lamentar o passado nem temer o futuro. Isso não mudará nada, não fará o tempo recuar nem avançar. Só dificultará o que vivemos neste momento.
E o que temos neste momento é o mais real que temos, o mais tocável. Por isso temos que vivê-lo com toda a intensidade e ter noção de que amanhã este momento não existirá mais. Tudo se dissipará. É por isso que temos de dar valor a tudo o que temos agora.

E como já passa da meia-noite, penso que já posso dar os parabéns a alguém muito especial. 

Feliz Aniversário, Melhor Amiga! Que todos os teus sonhos sejam sempre mais possíveis que os meus xP
E que a nossa Amizade não seja como tantas outras que passaram pela minha vida e que simplesmente desapareceram no tempo. Connosco não será assim porque eu sei que tu vieste para ficar. Marcaste-me profunda e eternamente! Parabéns uma vez mais :)

domingo, 3 de agosto de 2008

Pessimismo ou realidade?

Olá a todos.
Tenho andado “desaparecida” talvez por não ter grande vontade de escrever aqui ou por nunca saber o que dizer. Depois do último post, que já foi há imenso tempo (mais de um mês) estive no Algarve com os meus padrinhos. Foi o único tempo que passei longe de casa e em que realmente consegui aproveitar. Agora de novo em casa sinto um certo desânimo e aborrecimento. Diria que aqui a minha vida é uma verdadeira monotonia. Para além de nunca ter nada de divertido para fazer, é ainda aqui que mais perto me sinto dos problemas, das frustrações e das chatices. Há dias em que me sinto deprimida, completamente frustrada, incompetente e inútil. Sinto que não valho nada, que nada do que faço nesta vida faz sentido, que nada do que faço tem valor nem vale a pena. Não tenho talentos, não tenho habilidades, não tenho capacidades admiráveis, não tenho grandes qualidades. Do meu ponto de vista nem sequer tenho uma única qualidade.
Depois há ainda aquelas pessoas que parecem olhar-me de lado com desprezo, como se lhes tivesse feito algum mal. Devem pensar que eu não tenho inteligência suficiente nem para perceber pela maneira que me olham que não gostam de mim e que “ não vão com a minha cara”. Mas enfim, isso só serve para esclarecer as minhas dúvidas e chegar à conclusão de que sou um ser humano horrível, repugnante e tudo de mau que me quiserem chamar. Como eu costumo dizer, sou uma Fracassada Frustrada Falhada. É tal e qual como me sinto! Não adianta darem-me lições de moral e tentarem mostrar-me que sou pessimista demais e que nada do que digo é verdade. Eu sinto isto, sinto-o no meu coração e não na cabeça! E aquilo que está no coração é sempre mais difícil de tirar. Não vale a pena tentarem fazer-me mudar de ideias nem ver as coisas de um modo mais realista se assim quiserem dizer. É assim que eu vejo as coisas, as pessoas, o mundo e eu mesma, portanto será muito difícil mudar esta minha “teoria”. Foram as circunstâncias da vida que me fizeram pensar assim, talvez pensar errado, muitas vezes, mas eu cresci a pensar assim e por vezes acho que vou morrer a pensar do mesmo modo.
Já me chamaram teimosa, pessimista, exagerada, auto-destruidora. Já me disseram que eu só faço mal a mim mesma, que só me faço sentir mais em baixo, só penso no lado mau das coisas e nunca quero ver que há um lado bom. Posso ser ao mesmo tempo injusta e ingrata, pois há tantas pessoas a sofrer de males tão maiores, pessoas que vêem o seu tempo a esgotar-se e só gostariam de ter mais uma oportunidade de viver. E eu com 16 anos passo o meu tempo a queixar-me, a falar mal de tudo, a falar mal de mim mesma, a sofrer por coisas aparentemente absurdas. Pode até ser verdade mas todo o ser humano sofre seja por que razão for e todos temos direito a isso!
Há algum tempo atrás eu criticava pessoas que sofriam por desgostos amorosos. Bem, penso que nunca tive moral suficiente para criticar quem quer que fosse. É um sofrimento válido como qualquer outro e todos nós sofremos constantemente por coisas ainda mais simples. Simples para os outros porque para nós são sempre as piores e mais complexas, caso contrário não nos fariam sofrer.
Eu sempre disse que não queria ser adolescente, nunca me considerei como tal, quando todos os outros já o admitiam ser. Mas todos temos que passar por isso. São fases “obrigatórias”. E a adolescência é uma fase bastante complicada. Mas é mais complicada ainda quando não nos sentimos enquadrados nela, quando sentimos que não temos “perfil de adolescente”, quando achamos que estamos fora do “padrão” considerado normal. Às vezes sinto-me como uma completa anormal, completamente distanciada do patamar de todas as pessoas da minha idade.
Talvez até esteja mesmo distanciada dessas pessoas. Nas atitudes, na maneira de pensar, nos actos, na maneira de ser e estar. Em alguns aspectos posso ser mais infantil que eles, em outros talvez tenha mais maturidade. Talvez. Também há muitas pessoas que dizem ser muito maduras. Mas aí, esse tipo de maturidade é outro. É a maturidade por já terem vivido imensas emoções, sensações de adolescente, aventuras, experiências, por terem um grande reportório de namorados(as), por apanharem umas “bebedeiras”, por se divertirem imenso, por serem muito populares, por se sentirem os melhores do mundo. O típico.
Depois há aqueles que são completamente o contrário. E dentro desses há ainda os que se sentem autênticos frustrados e sofrem com essa frustração.
Eu sou uma dessas.
Não chamaria a isto que vivo a “idade do armário” porque normalmente isso apenas acontece na adolescência. E eu sempre fui assim. Quanto mais escondida dos outros melhor me sentia. Só não queria que me chateassem. Agora ainda continua a ser assim na grande parte das vezes. A diferença é que isso nem sempre me faz sentir bem. Acho que o “armário” começa a ser pequeno demais para mim e por vezes já não me sinto bem dentro dele. O adequado seria sair um pouco do armário de vez em quando e quando sentisse vontade de me afastar dos outros poderia voltar a usá-lo. E por vezes isso já acontece quase naturalmente, como se eu própria quisesse separar-me um pouco dele. Mas abandoná-lo por completo é ainda demasiado difícil para mim.
Os outros continuam a viver a vida lá fora. Eu vou continuar por aqui durante mais algum tempo. E o armário também.

Entretanto continuo a relembrar os melhores momentos, tento esquecer as coisas más com as boas memórias, mas por vezes parece que todas as lembranças boas desapareceram da minha mente, como se nunca as tivesse vivido, como se tudo não tivesse passado de um sonho, de uma ilusão, de uma visão. É realmente estranho. É um sentimento de nostalgia, um certo vazio, uma necessidade de voltar a viver tudo mais uma vez, de voltar a sentir aquela emoção. Preciso saber o que é isso, agora quase nem consigo lembrar-me. Só eu sei como preciso disso.
Não tentem compreender-me. Não há compreensão possível para aquilo que eu sinto.










Aqui ficam apenas alguns momentos daquele concerto, foram os melhores vídeos que consegui encontrar, apesar de não estarem perfeitos. Não me canso de recordar este dia pois até hoje estes momentos foram os melhores da minha vida.
Para quem quiser ver e tentar compreender o quão importante isto é para mim, ainda que em vão, apreciem. Para quem nem quiser perder tempo com isso também não vos obrigo ;)
Boa semana para todos!